ATLETA CAROLINA SCHRAPPE (ACQUANAUTA/ARRIBATUR) É CAMPEÃ DE MERGULHO LIVRE NO CAMPEONATO INTERNACIONAL DAS ILHAS CAYMAN E AINDA QUEBRA DOIS RECORDS DE PROFUNDIDADE.
A curitibana Carolina Schrappe participou durante o mês de abril de um dos eventos mais importantes do mundo de mergulho livre. Organizado pela PFI – Performance Freediving International, do Canadá, o evento é composto de 3 fases: um período de treinamentos para atletas de alto nível, clínicas intermediárias e avançadas nas modalidades desportivas do mergulho livre, e um campeonato internacional.
Carolina, que já havia participado do mesmo evento em 2006, e que havia ficado em terceiro lugar feminino, melhorou suas marcas e trouxe de lá excepcionais resultados, entre eles um Record brasileiro, um Record sulamericano e o primeiro lugar geral na competição. Abaixo, ela descreve sua experiência:
“Cheguei em Grand Cayman do dia 9 de abril e fiquei, a convite do “Time” da Performance Freediving International, na mesma casa que eles. Começamos a treinar já no dia seguinte as modalidades de profundidade. Sempre eu, Carolina Schrappe, Mandy-Rae Cruickshank (canadense, recordista mundial em várias modalidades) e nosso treinador Kirk Krak (canadense, considerado o melhor, mais competente e mais sério treinador do mundo). Saíamos todos os dias de barco, cedo para mergulhar, treinávamos cerca de duas horas e quando voltávamos à terra era hora de assistir aos vídeos dos mergulhos do dia e analisar as performances. Observávamos todos os detalhes da técnica, respirações antes e depois do mergulho e examinávamos também os gráficos dos nossos mergulhos em um computador..
Já nos primeiros dias de treino, pude sentir o clima que estaria presente durante todo o tempo que estive por lá. Foi uma troca de experiências diária, fantástica, exatamente como acho que deveria ser sempre, em todos os lugares do Mundo. Tive a oportunidade de conviver com um grande treinador e uma recordista mundial o mês todo, foi fantástico.
Treinamos duro e todos os dias estávamos na água, mesmo com tempo ruim e mar agitado estávamos lá. Tudo sempre programado, supervisionado e filmado pelo nosso treinador, Kirk Krak. Mesmo em nossos dias de folga, estávamos na água, normalmente brincando com scooters (veículo de propulsão subaquática, quase uma moto-sub), visando sempre atingir grandes profundidades e acostumar o organismo com a pressão. Para mim foi muita diversão.
Nesta viagem eu tinha um objetivo ousado, conseguir bater pelo menos um Record Brasileiro de profundidade. Estava confiante e me animei mais ainda, quando em treino bati a marca sulamericana da modalidade de Imersão Livre (modalidade em que descemos a maior profundidade possível utilizando as mãos, sem o auxílio das nadadeiras). Mas, tive que superar uma grande barreira psicológica em outra modalidade, o Lastro constante com Nadadeiras (modalidade em que o atleta utilizando nadadeiras, deve descer a maior profundidade possível e subir usando suas próprias forças), isso porque tive problemas nesta prova durante o Campeonato Mundial do Egito no ano passado e acabei “apagando” durante a performance. Foi recompensador, pois consegui realizar bem esta prova na competição, desta vez, sem problema algum.
Durante nossos treinos, ainda tive a oportunidade de atuar como Juíza Internacional de um Record nacional para o Canadá. Homologuei um Record da Mandy-Rae de Lastro Constante com nadadeira de -87 metros de profundidade, que para a surpresa de todos foi maior que o Record mundial da modalidade.
Adquiri muita experiência, aprendi muito com o Kirk e com a Mandy-Rae, e claro, com outros atletas também, pois junto comigo no final do mês treinavam outros atletas de alto nível, muitos recordistas em seus países de origem. Fiz vários bons amigos, contatos importantes, ganhei o reconhecimento, a admiração, o respeito e a atenção da maioria. Afinal, fui a campeã do Torneio.
Durante a competição atingi mais do que o esperado: bati um Record sulamericano em Imersão Livre, -61 metros de profundidade, bati um Record brasileiro em Lastro constante sem nadadeiras, -36 metros de profundidade, e realizei com certa facilidade o mesmo mergulho em que tive dificuldades no último campeonato no Egito, -61 metros em Lastro Constante com nadadeira.
Ainda realizei boas provas em piscina, 5’02” (cinco minutos e dois segundos) em apnéia estática (maior tempo em apnéia estática na piscina), 75 metros de distancia em dinâmica com nadadeiras (maior distancia percorrida na piscina) e 55 metros em apnéia dinâmica sem nadadeiras (maior distancia percorrida na piscina sem nadadeiras).
Fiquei assim com o resultado final de 1° (Primeiro) Lugar feminino e também 1° (Primeiro) Lugar Geral, ficando na frente inclusive dos homens em pontuação. Participaram atletas de altíssimo nível do Canadá, Estados Unidos, Japão, Brasil e Reino Unido (a maioria absoluta componentes de seleções de seus países). O Brasil hoje está no topo. A competição ficou a cargo da CAFA – Canadian Association of Freedivers & Apnea – e da USAA – United States Apnea Association, representantes da AIDA – Associação Internacional para o Desenvolvimento da Apnéia - nestes países. A competição valeu ainda para o ranking mundial da Associação.
Voltei deste evento extremamente feliz e confiante em novos bons resultados, além de ter me aprimorado muito, como atleta e como instrutora de mergulho livre.”
Apesar do pouco incentivo ao esporte, traduzido em pouco patrocínio financeiro, a atleta representou mais uma vez o Brasil com muita disposição e garra (já havia participado do mesmo torneio no ano passado, além de participar das seleções brasileiras no mundiais de 2001 na Espanha e 2006 no Egito).
Carolina tem mais objetiv, e almeja novas conquistas para este ano. Entretanto, está em busca de novos patrocinadores, para que possa encarar estes novos desafios. Hoje, ela conta com o apoio financeiro da Escola de Mergulho Acquanauta de Curitiba, e ainda teve para os campeonatos do Egito e de Grand Cayman, ajuda da empresa Arribatur, operadora de turismo de São Paulo, que cedeu as passagens aéreas, além do apoio da Academia Cabral, onde treina com supervisão de uma personal trainer, e da fabricante de roupas Pino, que produziu as roupas que usou nestes torneios. Para conseguir participar do evento de Cayman, contou com a ajuda de muitos alunos e amigos, através da ação “Brasil rumo ao azul”, onde vendeu camisetas com o tema do evento para arrecadar fundos.
Carolina, que é também fisioterapeuta, ministra cursos em todo o Brasil sobre Mergulho Livre de Alto Desempenho, o que ajuda financeiramente nos treinos e competições. Abaixo, segue um currículo resumido da campeã.
Carolina Schrappe
- Fisioterapeuta e empresária desde 2001, é sócia da Acquanauta Mergulho de Curitiba;
- Recordista paranaense, brasileira e sulamericana de mergulho livre;
- Atleta internacional, participou da seleção feminina de 2001, que em Ibiza conquistou o 4 lugar feminino, melhor resultado por seleções que o Brasil já teve. Em 2006 obteve os seguintes resultados: terceiro lugar feminino no 1St PFI Competition em Grand Cayman, Primeiro lugar no Torneio de Estática do Rio Boat Show, maior pontuadora no Torneio Indoor AIDA Brasil e segundo lugar nas modalidades de profundidade. Fez parte da Seleção Mista do Brasil no Campeonato Mundial do Egito. Em 2007 foi campeã do 2º. PFI Open em Grande Cayman;
- Ministra cursos de Mergulho Livre de Alto Desempenho em todo o país.;
- Juíza Internacional AIDA (Associação Internacional para o Desenvolvimento da Apnéia)
- Instrutora de Mergulho Livre Especialista PDIC – Professional Diving Instructors Corporation e Master Freediving Instructor Trainer (formadora de Instrutores de Mergulho Livre) pela IANTD – International Association of Nitrox and Technical Divers;
- Mergulhadora de caverna pela GUE (Global Underwater Explorers) e Oxi Provider DAN, Instrutora de mergulho pela NAUI e PDIC, nesta última, instrutora especialista de Nitrox, Mergulho em Naufrágios, Overhead Environment e First Aid.
Mais informações: www.carolschrappe.com.

Carol durante a prova de Lastro Constante (-61 m)

Carol na piscina, antes da prova de Apnéia Estática (5’02”)

Carol comemorando os recordes com a bandeira do Brasil

Carol após a prova de Lastro Constante

Premiação do PFI Open, como a primeira colocada, junta as atletas Jewels Russel dos EUA (2ª. Colocada) e da Junko Kitahama do Japão (3ª. Colocada)

Carol comemorando o recorde brasileiro de Lastro Constante sem Nadadeiras (-36 m)

Carol comemorando o recorde sulamericano de Imersão Livre (-61m)

Carol com sua monofin após a prova de apnéia dinâmica

Carol concentrado e respirando antes do recorde sulamericano

Carol voltando (subida) da prova e recorde sulamericano em imersão livre (-61m)
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